El medio ambiente y racismo ambiental

Por Janine Rodrigues, presidente de Piraporiando, psicoanalista y gestora ambiental
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*Por Janine Rodrigues, presidente de Piraporiando, psicoanalista y gestora ambiental.

En 2024, a través de Piraporiando, me integré al comité del C20, un grupo de interacción que representa a la sociedad civil en el G20 y cada vez pienso más en la urgencia de trabajar juntos para mantener la vida humana posible en este planeta. No, ya no hablamos solo del futuro ni únicamente del futuro para las próximas generaciones. Pensar en ese futuro, por supuesto, es fundamental, pero aún más primordial es pensar en el ahora, ya que no hay futuro sin un presente.

Es necesario, por ejemplo, entender mejor las necesidades socioeconómicas en las diversas regiones, con la participación efectiva de la sociedad civil en la toma de decisiones, especialmente los grupos sociales que, lamentablemente, son desatendidos en los espacios de escucha y en la creación de soluciones.

En este sentido, es importante darse cuenta de qué es y cómo opera el racismo ambiental. El racismo ambiental se refiere a las injusticias socioambientales que afectan de manera extremadamente más severa a los grupos sociales más vulnerables. En Brasil, por ejemplo, estos grupos son las personas negras e indígenas.

Cuando hay grandes lluvias, inundaciones, deslizamientos de tierra, ¿cuáles son los grupos sociales más afectados? ¿Quiénes viven en las áreas más vulnerables?

Además, ¿qué grupos son los últimos en ser rescatados?

¿Qué grupos sociales tienen más posibilidades y agilidad para recuperarse al recibir más atención del poder público?

Si el Día Mundial del Medio Ambiente tiene como objetivo, desde 1972, reunir a millones de personas en todo el mundo para celebrar y promover acciones ambientales que generan una permanencia más sostenible en el planeta, tenemos la obligación de visibilizar que las desigualdades sociales y las injusticias sociales pueden impedir esto.

Creer que todos y todas partimos del mismo lugar o que estamos en las mismas condiciones no nos ayuda a crear soluciones objetivas para estos problemas.

Que en este Día del Medio Ambiente podamos pensar en el futuro, pero que esto no sea una distracción para ignorar lo que está sucediendo ahora. Cómo las acciones, elecciones y actuaciones de los seres humanos están cada día desequilibrando el planeta. Y cómo todo esto afecta a todos, pero con mayores daños (algunos de estos irreversibles) a los grupos minoritarios.

Un serio trabajo de educación ambiental, leyes más estrictas y su efectiva fiscalización, además de la intención de actuar sabiendo que para las personas negras, indígenas y otros grupos minoritarios el impacto es aún mayor, son todas medidas de emergencia necesarias.

O meio ambiente e o racismo ambiental

Em 2024, pela Piraporiando, passei a integrar o comitê do C20, grupo de engajamento que representa a sociedade civil no G20 e tenho pensado cada vez mais na urgência de trabalharmos em conjunto para mantermos a vida humana possível neste planeta. Não, já não falamos mais só do futuro unicamente ou do futuro para as próximas gerações. Pensar nesse futuro, por óbvio, é fundamental mas, ainda mais primordial é pensar o agora, afinal, não há futuro sem um hoje. 

É preciso, por exemplo, entender melhor as necessidades socioeconômicas nas mais diversas regiões, com efetiva participação da sociedade civil nas tomadas de decisão, principalmente os grupos sociais que, infelizmente, são negligenciados nos espaços de escuta e na criação de soluções. 

Neste sentido, dar-se conta do que é e como opera o racismo ambiental é algo importante. O racismo ambiental são as injustiças socioambientais que atingem de forma extremamente mais severa os grupos sociais mais vulneráveis. No Brasil, por exemplo, estes grupos são os de pessoas negras e indígenas. 

Quando há grandes chuvas, alagamentos, desmoronamentos, quais grupos sociais mais atingidos? Quais vivem em áreas mais vulneráveis? 

Além disso, quais grupos são os socorridos por último?

Quais grupos sociais têm mais chance e agilidade de recuperar-se por receberem mais atenção do poder público? 

Se o Dia Mundial do Meio Ambiente tem como finalidade, desde 1972, reunir milhões de pessoas em todo mundo para celebrar e promover ações ambientais que sejam capazes de gerar uma permanência mais sustentável no planeta, temos a obrigação de visibilizar que as desigualdades sociais, as injustiças sociais podem impedir isso. 

Acreditar que partimos todos e todas do mesmo lugar ou que estamos em mesmas condições não nos ajuda a criar soluções objetivas para estas mazelas.

Que neste Dia do Meio Ambiente possamos sim pensar no futuro mas que isso não seja uma distração para nos desviarmos de algo que está acontecendo agora. Como as ações, escolhas, atuações dos seres humanos estão a cada dia desequilibrando o planeta. E como tudo isso afeta a todos e todas mas, com ainda mais danos, (alguns destes danos irreversíveis) aos grupos minorizados. Um sério trabalho de educação ambiental, leis mais rígidas e sua efetiva fiscalização de cumprimento, além de intencionalidade de agir sabendo que para pretos, indígenas e outros grupos minorizados o impacto é ainda maior, tudo isso são medidas emergenciais.

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